Este não é um blog, mas um reblog. É um ambiente de aprendizagem. Mas o que é um ambiente de aprendizagem? - Carteiras? Quadro? Algumas janelas? Nós aprendemos através de nossas interações com professores, pais, colegas e o mundo em nossa volta, considerando que a interação é um dos mais importantes elementos da aprendizagem. Este reblog é dedicado a todos aqueles que colocando perguntas estimulam o estudo e as respostas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Para quem topa arriscar uma inovação de práticas através da web

formspring.png (582×277)

A febre das redes sociais envolve os mais diversos setores das sociedades no ambiente virtual, estabelecendo novas relações que têm conseqüências práticas no mundo real. Popular, o Orkut logo despertou a atenção das empresas, como espaço em potencial para a expansão das formas de fazer negócios. Mas foi mesmo com o Twitter que o business embarcou de vez nessa nova onda. Agora, o Formspring.me desponta como mais uma importante ferramenta na web, trazendo como trunfo mais uma inovação: a capacidade de funcionar tal qual um canal direto entre o cliente e a empresa, como se fosse um Serviço de Atendimento ao Consumidor bem descolado.


Criado pelo norte-americano Ade Olonoh, um mês após ser lançado para o público dos Estados Unidos o Formspring.me ganhou milhões de adeptos no Brasil. Hoje, depois dos americanos, os brasileiros são os que mais utilizam a rede social. Mas, o que há de tão interessante nesse site, para atrair tanta gente em tão pouco tempo?


Aparentemente, o Formspring.me é apenas uma rede onde cadastrados e anônimos podem fazer perguntas aos usuários que têm um perfil lá. As questões, se respondidas, são publicadas na página do usuário e ficam visíveis para qualquer pessoa, mesmo as que não têm um login no site. Sim, mas o que isso tem a ver com negócios?


Para quem topa arriscar uma inovação de práticas através da web, a rede de perguntas e respostas pode ser utilizada como um portal de transparência, onde são oferecidos, de forma menos formal e mais próxima, serviços de atendimento ao cliente, sem mensagens gravadas e todo aquele protocolo que todo mundo já conhece. Tudo isso visível para quem quiser ver, o que torna o perfil um meio transparente da empresa se relacionar com seu público.


O relacionamento direto e cada vez mais próximo dá à empresa os instrumentos para sentir de perto quem é seu público, identificar falhas nas estratégias e, consequentemente, promover melhorias baseadas nas necessidades expressas por quem mais se interessa nelas: o cliente.
Vá com calma!

Alguns cuidados, no entanto, são fundamentais. Se for para entrar no universo das redes sociais, aderir a sua lógica é imprescindível. A web é dinâmica e exige respostas rápidas. Então, assim como no e-mail, no Orkut, no Twitter, é importante atender aos contatos do modo mais imediato possível. No caso do Formspring.me, o acompanhamento precisa ser ainda mais constante, pois demorar um, dois, três dias para responder à dúvida de um cliente, com certeza, vai pegar muito mal. Por isso, se não houver condições de dar a atenção necessária à rede, é melhor não aderir a ela e evitar efeitos negativos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Dog by maggie pictionary - Best art direction, Cannes 2010

Pictionary: Dog

Advertising Agency: Ogilvy&Mather, Paris, France
Creative Director: CHris Garbutt
Art Director: Eve Roussou
Copywriter: Benjamin Bregeault
Illustrator: Eve Roussou
Photographer: Fabrice Robin
Retouch: Frederic Witzgall
Published: April 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ações de empresas em mídias sociais

Por Daniela Machado *

O sucesso de uma empresa depende também do relacionamento que ela mantém com seus clientes. Além de vender, é preciso fidelizar. E com o advento das mídias sociais a Internet tornou-se um novo espaço de aproximação entre marcas e clientes.

Através de blogs e perfis em ambientes muito frequentados como no Orkut, Twitter, Facebook e YouTube, entre outros, é possível compartilhar conteúdos, novidades, opiniões e experiências.

A presença de uma empresa na Internet reforça e dissemina os valores da marca e facilita a participação do seu público alvo, abrindo espaço para a conservação e a comunicação dirigida.

Mas não basta estar, é preciso saber estar e interagir. Um estudo divulgado este ano pela Associação Comercial de São Paulo mostrou que apenas 17% das empresas paulistanas têm cadastros ativos em mídias sociais. (Veja mais em Pequenas empresas ainda longe das redes sociais).

Estes números comprovam que é fácil criar uma conta, o difícil é mantê-la atualizada.

Quem trabalha como analista de mídias sociais precisa conjugar diversos conhecimentos, como conhecer as potencialidades e limitações dos sites de redes sociais, saber qual o perfil e as expectativas dos seus clientes, entender o que eles buscam nestes espaços, definir objetivos de comunicação nesses canais, planejar ações, ficar atento às novidades e escolher a melhor forma de interagir com o público.

Não corra do seu cliente online

A presença de uma marca nestes espaços implica estar ativo e também receptivo. Dúvidas e reclamações sobre os serviços prestados pela empresa vão surgir e, neste tipo de situação, ficar calado pode gerar um sentimento de indignação no consumidor.

A empresa pode escolher em dar o retorno publicamente ou através de contato direto via e-mail ou telefone, mas o importante é não fugir do consumidor.

Cedo ou tarde ele vai voltar à rede social e agradecer a atenção ou elogiar o seu produto. Mas se você o ignorar ele vai espalhar a sua insatisfação e isso poderá impactar nas suas vendas, pois a troca de opiniões em redes sociaisinfluencia fortemente na decisão de compra do cliente.

Com a facilidade de acesso à Internet cada vez mais as pessoas pesquisam um produto ou serviço antes de ir até a loja para adquiri-lo. Acessam blogs, sites e, claro, as redes sociais para ver quais são as vantagens e desvantagens do produto.

Siga o exemplo das grandes marcas

Se a marca não é muito conhecida pode-se criar promoções e concursos para ganhar amigos/seguidores e ir investindo em conteúdo interessantesobre o seu segmento de mercado.

Se a marca é conhecida, certamente seus fãs já criaram uma comunidade no Orkut para expressar seu amor. A Coca Cola possui uma comunidade chamada “Eu Amo Coca-Cola” que possui mais de 300 mil membros.

Nesses casos uma boa saída é se relacionar com o administrador da comunidade e interagir com os participantes.

Uma ação feita pela Nokia, chamada de Nokia Guru, reúne os fãs de seus aparelhos para ajudar a empresa a responder dúvidas de usuários que se relacionam com a marca das mídias sociais.

A recompensa pelo esforço vem através de prêmios que são dados todos os meses ao participante de cada categoria que fizer o maior número de pontos. Ideais como essas não aumentam apenas o capital social da marca na Internet, mas também se reverte em satisfação dos clientes e no aumento das vendas.

O perfil da Dell no Twitter é outro exemplo de empresa que exemplo sabe fidelizar seus clientes através do contato direto com seus mais de 23 mil seguidores.

A Camiseteria, empresa que vende camisetas com estampas exclusivas feitas por designers de todo o Brasil, criou um perfil no Twitter chamado SAC Camiseteria apenas para responder as dúvidas dos seus clientes.

A confiança com o cliente é construída através de respostas rápidas e do acompanhamento diário feito por um especialista no assunto. O grande erro de muitas empresas é pensar que qualquer pessoa sabe usar as redes sociais para promover uma marca.

Estar atento as novidades do mercado e contratar especialistas no assunto vai ajudar a sua empresa a se posicionar corretamente nas mídias sociais e conquistar e manter o prestígio junto aos seus consumidores.

* Daniela Machado (danielamachado.jor@gmail.com) é estudante de jornalismo da Unisinos e trabalha como assessora de imprensa na Fatto Comunicação.

Fonte: http://webinsider.uol.com.br/



quarta-feira, 23 de junho de 2010

Skip White and Skip Black


video

O narrador lê um texto de uma história que é apresentada sob a forma de um desenho em preto e branco. No final da história, o lettering é exibido pedindo às pessoas atenção para as partes brancas das animações e para depois seguir com uma nova história. No final desta nova história é explicado que o Preto e Branco são histórias diferentes, de dois produtos o Passar Branco e o Passar Preto.

Advertising Agency: BorghiErh/Lowe, Sao Paulo, Brazil
Creative Director: José Henrique Borghi, Erh Ray, Fernando Nobre
Art Director: Piu Afonseca
Copywriter: Pedro Corbett
Production Co & City: Dínamo Filmes
Production Director: Ricardo Carelli
Music & Music Publisher: Saxsofunny/Cesar Brandão
Producer: Equipe Dinamo Filmes
Aired: April 2010

Fonte: http://adsoftheworld.com

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Cadê o site que estava aqui?

Mauricio Felício*

Uma palavra muito apreciada nos negócios é "controle". Poder manejar números, respostas, resultados, prever mercado, share disso e share daquilo. Mas na comunicação, por mais que ela seja mensurável, as coisas são diferentes.

Para entender melhor esta questão, podemos fazer um paralelo com a visão pansemiótica, pela qual tudo produz sentido, e a questão da memória, não apenas como registro formal, mas também como memória involuntária, muito bem resgatada pelo Prof. Dr. Paulo Nassar das obras de Proust¹, onde os significados das experiências afloram na relação com o mundo e então se ampliam, e que resignificam o passado no tempo presente.

Como podemos ser bons comunicadores enquanto negligenciamos a memória e se continuamos produzindo colossos comunicacionais para serem reduzidos a ruínas com a mudança dos ventos?

As empresas nascem se comunicando, tanto quanto nós, pelo que vimos na visão pansemiótica. Criam diversos canais de comunicação, instigam os públicos ao lhes oferecer telefones de contato, e-mails, clubes de fidelidade, newsletters, twitter, sites ehotsites.

Somos impactados constantemente pelos conteúdos empresariais e em nossa relação dialógica imaginamos que sempre teremos acesso a este bem primário, a comunicação. Porém quantas destas contas no Twitter estão desatualizadas? Quantos são os sites corporativos que somem de repente quando a empresa muda de gestor?

Nas comunicações não podemos brincar de SWOT e ficar reposicionando nossa fala a cada mês. É preciso manter uma conversação fluída, contextualizada, contínua.

O preço que se paga pela flutuação e falta de conexão entre os discursos pode ser a redução do nosso discurso a ruínas, fazendo com que construamos, a cada dia, um novo prédio, sobre escombros de anos, e deixando órfãos aqueles que viveram e transitaram nos espaços que havíamos construído.

Tentar acessar uma conta corporativa do Twitter e ver que a última atualização é de dois meses atrás é o mesmo que ir a uma repartição pública dos anos 80 e ser obrigado a esperar dois meses para conseguir uma informação simples ou expedir um documento.

Vamos além. Tentar acessar um site que foi descontinuado pelas novas estratégias de uma empresa pode ser tão decepcionante quanto tentar visitar um parque público que foi vendido para construírem um estacionamento.

A impressão é de que o que foi vendido não foi o terreno, nem o parque, mas sim o nosso tempo, nossas energias e nosso relacionamento. Aliás, pode chegar ao ponto de macular os valores e os ideais que públicos e empresas partilharam.

Isso tudo é parte da construção da memória. Da construção do diálogo nas realidades culturais chamadas dialógicas.

E para o Prof. Dr. Paulo Nassar, a construção dessas realidades culturais dialógicas é justamente a "condição necessária e fundamental para a perenidade de práticas ligadas à história e à memória que têm o objetivo de reforçar as ligações entre as organizações e seus públicos, as redes sociais e a sociedade”².

Não só a confusão discursiva como sua inconstância minam o relacionamento da empresa com seus clientes quanto o faz também com seus colaboradores, tirando deles o lastro e o sentimento de pertencimento.

É assim que a gana por controle pode desmantelar relacionamentos, tirando a voz dos públicos, incluindo o público interno, e os forçando a transitar entre as ruínas do que um dia foi um bom parque, um bom relacionamento, com um profundo sentimento de perda de sua própria história.


1 – NASSAR, Paulo. Relações Públicas na construção da responsabilidade histórica e no resgate da memória institucional das organizações. São Caetano do Sul, SP. Editora Difusão. 2007.

2 – NASSAR, Paulo. História e memória organizacional como interfaces das relações públicas. In: KUNSCH, Margarida M. Krohling. Relações Públicas: História, teorias e estratégias nas organizações contemporâneas (org). São Paulo. 2009. Pág. 300.

*

Mauricio Felício

mauricio.rp.usp@gmail.com

@mauriciofelicio atua no setor farmacêutico, com formação em Relações Públicas pela USP. Atualmente é professor conferencista da ECA-USP. Além de cursar MBA em Gestão de Comunicação e Marketing (USP/Florida University), é pós-graduando em Mídias Digitais (USP).


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Exercício: gestão sobre a marca

Depoimentos dos participantes da 4ª Conferência Internacional Aberje de Comunicação Empresarial. 2009, respondendo: O Que É Branding?


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Realidade aumentada...

Respirando o conceito de “internet das coisas”, no qual objetos, pessoas e ambientes são integrados por meio de camadas de informações virtuais, a ação consiste no seguinte: através de um software, o usuário pode escolher um cenário da cidade para visualizar em tempo real. Neste cenário, ele marcará pontos do ambiente que representarão o som de um determinado instrumento musical. Quando alguém (pessoa, animais, carro etc.) passa por este ponto marcado no ambiente, ele, automaticamente, dispara o som do instrumento criando uma dinâmica espontânea para a música clássica. Ou seja, quem usa o programa pode se tornar um maestro que utiliza o movimento natural das pessoas e/ou objetos para fazer música. Confuso? Veja no vídeo abaixo como funciona:



Fonte: http://marcelayres.com/blog/ http://www.sounds-of-hamburg.de/

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Identidade visual na web

O número de usuários no Twitter cresce todos os dias e as pessoas cada vez mais se preocupam em como causar uma boa impressão no serviço. Passeando por outros blogs encontrei um post que falava justamente sobre isto, eu então resolvi fazer aqui no Midiatismo um post com o mesmo tema: Dicas para configurar o seu Twitter.

Exemplo de Layout de TwitterNo momento em que alguém acessa a página do seu perfil no Twitter ela se depara lá com um pedaço de você, uma outra área de sua empresa. Manter a identidade visual na web deve ser tratada da mesma forma que no mundo offline, seguindo o planejado para reforçar o nome e visual da marca. Quando você entra na página de alguém ou alguma empresa esta deve estar preparada para explicar exatamente o que faz e mostrar o que ela quer naquele lugar. Segue algumas dicas para você ter um perfil no Twitter bem configurado.

Utilize um nome simples, você deve facilitar para que as pessoas lembrem do seu ‘@’ sem precisa ficar pensando muito, não complique a vida das pessoas, facilite. Evite número ou nomes complicados de se memorizar, utilize algo que representa a sua marca da melhor forma possível e disponível. Por exemplo, evite @j0aum3382 e utilize algo como @Midiatismo, simples e direto.

Aproveite o espaço da bio, nela você pode colocar o Nome completo de sua empresa, Localização, Link para seu Site/Blog e ainda falar, preferencialmente em poucas palavras, sobre o que você é e o que você faz.

As cores são importantes não só para manter a identidade visual de sua marca, mas também deve facilitar a passagem do navegante por sua página, deve lhe facilitar a leitura e propiciar uma boa estadia se ele for ler sobre você.

Imagem de Perfil não é para você e sim para as outras pessoas o reconhecerem sem precisar ler o seu @. Você tem um pequeno quadrado para colocar uma imagem e deixar que as pessoas o conheçam dentro e fora do Twitter por ela.


Fonte: http://www.midiatismo.com.br

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Roupa espacial, capacete, máscara, capa, luva e com uma grande letra "N" estampado no peito.

Mais rápido que os aviões a jato, mais forte que o aço!
O invencível super herói, cavaleiro da paz e da justiça.... National Kid!

Filme Japones dos anos 60. Esse personagem é uma criação da empresa Japonesa National Eletronics. No Brasil foi televisionada de 1964 até início dos anos 1970 pelas TVs Rio, Record e Excelsior. A série só parou de passar na TV porque o então Ministro da Justiça da ditadura militar, Alfredo Buzaid, censurou todas as séries que tinham super-heróis voadores.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Antropologia e Consumo


Retirado de Horizontes Antropológicos, edição especial Antropologia e Consumo. O Mundo dos bens revisitado por Mary Douglas...vinte anos depois.

Foi uma verdadeira surpresa quando, recentemente, meus editores de Londres decidiram republicar O Mundo dos Bens (Douglas; Isherwood, 1979). Até onde eu sabia, o livro estava completamente morto, submerso sem deixar vestígios.

Embora eu tenha estudado para o livro e o escrito (com a ajuda de Baron Isherwood) com um espírito de animação, eu estava enormemente nervosa quando ele foi lançado e, logo em seguida, cheia de desgosto – como eu podia ter perpetrado algo tão obsoleto? Eu estava em Nova Iorque naquela época, e Richard Sennett, o diretor do Instituto de Humanidades, fez o que podia para que eu tivesse um pouco de discussão. Ele organizou dois seminários para mim, um com o instituto, e o outro com economistas da New York University que estavam inteiramente confusos e só queriam saber como o livro os ajudaria a medir o comportamento econômico. Ele também conseguiu com que eu falasse em particular sobre o livro com um membro do instituto, o falecido Vassily Leontiev, ganhador do Prêmio Nobel. Esse foi todo o debate que tive, e os resenhadores, que eu lembro, ficaram (como eu já previa) confusos, entediados ou hostis.

Antropologia econômica

O tema central do livro é que pobreza não pode ser definida pela ausência de riqueza. O livro tentava fazer uma aliança entre a antropologia e a ciência econômica, sugerindo uma definição de rede social de pobreza. O ponto de vista do antropólogo é de que as coisas cuja posse significa riqueza não são necessárias por elas mesmas, mas pelas relações sociais que elas sustentam. A pobreza é culturalmente definida, não por um inventário de objetos, mas por um padrão de exclusões, geralmente bastante sistemáticas.

No final nos anos 1970, quando o livro foi planejado, eu já estava fazendo antropologia há 30 anos e havia contribuído com a antropologia econômica através de meu próprio trabalho de campo no Congo Belga. No final dos anos 1940, quando eu era estudante, "antropologia econômica" era um interesse focal. Ele forneceu um modelo unitário da sociedade reproduzindo a si mesma num grande ciclo de doações recíprocas. De certa forma, o ensaio de Mauss parecia ir lado a lado com A Riqueza das Nações, de Adam Smith, e de O Capital, de Karl Marx, já que também apresenta uma visão total da economia e da sociedade interagindo. Mas o Ensaio Sobre a Dádiva(publicado em 1923) se destaca: por um lado, ele é sobre o que eram então chamadas "economias primitivas", ou seja, economias sem dinheiro, e por outro, ele contrasta explicitamente as economias sem dinheiro, onde a dádiva é o principal método de distribuição, com economias monetarizadas, que são o território da ciência econômica. Mauss aceita o hiato entre a antropologia e a economia, não tenta construir uma ponte entre ambas, e, ao contrário, tende a idealizar o caso primitivo. Conseqüentemente seu grande livro não parecia ter qualquer relevância para a economia moderna.

Nas décadas que seguiram, muito mudou na ciência econômica e há mais lugar para contabilizar o ensaio de Mauss entre as outras teorias econômicas que relacionam as energias que produzem os bens com as energias que demandam os bens. Não é um exagero vê-lo como uma contribuição às velhas discussões sobre a lei de Say. Say encarava a vida econômica como um processo circular e respondia aos temores de que a produção excessiva nunca seria absorvida por compradores, argumentando que o processo de produção em si gerava uma entrada de dinheiro extra que seria gasta no produto, de forma que o suprimento produz sua própria demanda. Mauss, por sua vez, está demonstrando o processo menos contra-intuitivo pelo qual a demanda produz seu próprio suprimento. Em outras palavras, os processos que economistas separam para propósitos de análise, Mauss trata como um sistema unitário interativo. "São 'todos', sistemas sociais inteiros cujo funcionamento tentamos descrever. Nós estamos preocupados com 'inteiros', com sistemas na sua totalidade. [...] pesquisa dos fenômenos sociais 'totais'." (Mauss, 1969, p. 77-78).1

Evans-Pritchard (1969, p. vii), em sua introdução à primeira tradução para o inglês, afirmou:

"Total" é a palavra-chave do Ensaio. As trocas de sociedades arcaicas que ele examina são movimentos ou atividades sociais totais. Elas são ao mesmo tempo fenômenos econômicos, jurídicos, morais, estéticos, religiosos, mitológicos e sócio-morfológicos.

Mauss mostra como as grandes correntes de dádiva ligam todos na comunidade num ciclo de trocas de longo prazo. As dádivas mantêm um padrão particular de relações sociais e o padrão de relações gera os padrões de trabalho que produzem os materiais para as dádivas. Em economias não-monetárias a quantificação era difícil, outro motivo para a idéia ser estranha à prática da ciência econômica.

Sob qualquer ângulo, tanto se o foco é na demanda, criando o suprimento, quanto no suprimento, criando sua própria demanda, o rabo da cobra está firmemente dentro da boca da cobra, como Piero Sraffa (1972) afirma. Talvez esta seja uma coisa curiosa a se querer fazer, mas se o circuito da economia foi artificialmente quebrado a favor de se calcular o suprimento e a demanda, é bom juntá-las novamente em algum momento. Naqueles dias, quem fazia trabalho de campo em antropologia sempre buscava relacionar o padrão total de demanda aos padrões de produção dentro de um esquema sociológico. Eu considero isso ainda o ideal para a antropologia econômica. Mas nós tínhamos, em primeiro lugar, que tratar dos problemas conforme eles surgiam, e no final os antropólogos foram vencidos naquele objetivo pelos economistas.

Os primeiros passos foram Economics of the New Zealand Maori(1959), de Raymond Firth, seguindo por A Primitive Polynesian Economy (1939), que demonstraram que a análise econômica formal poderia ser aplicada a uma economia não-monetarizada.

Isso foi importante e necessário. Audrey Richards, em Land Labour and Diet in Northern Rhodesia (1939), analisou os efeitos, numa sociedade de vilas, da migração do trabalho para o cinturão do cobre, os efeitos nos padrões de casamento e um foco nas dificuldades das mulheres vivendo em vilas semidesertas. Evans-Pritchard, em Os Nuer (1940), foi quem chegou mais perto de realizar o programa de Mauss ao mostrar como trocas de gado e trocas de mulheres formavam um só sistema recíproco. Moses Finley (1973) fez uma análise da troca de dádivas dos laços entre chefes e súditos na Grécia antiga.

Esses foram nossos professores. Essa foi a base da minha própria pesquisa de campo no (então) Congo Belga. Eu estava especialmente interessada em transações intergeracionais (Douglas, 1963). As novas fileiras de pesquisadores de campo africanos reportaram os tristes efeitos da monetarização e a condição dos migrantes trabalhadores.2Através da influência de Franz Steiner, os escritos de Bohannon (1955) sobre a economia Tiv foram bem sucedidos em mostrar a circulação de mulheres, escravos e preciosidades num esquema bem coerente com produção doméstica, casamento e hierarquia militar. Quase na mesma época um modelo de comunicação da circulação de mulheres e bens foi a espinha dorsal da teoria elementar do parentesco, de Lévi-Strauss (1949). Entretanto, Lévi-Strauss negligenciou o lado econômico da equação – e não foi o único antropólogo a fazer tal coisa – e por várias outras razões a visão totalizante de Mauss foi logo perdida.

Uma razão para o declínio na antropologia econômica era seu pensamento evolucionário implícito. A dádiva veio primeiro, cedo, e era elementar, primitiva; o dinheiro veio depois, com a civilização, mas do ponto de vista anterior o dinheiro significava ruína, ele dissolveu os laços primordiais de parentes e vizinhos e deteriorou a base moral da comunidade. A tese forneceu uma plataforma fácil para uma antropologia marxista da exploração colonial, que era necessária e prestes a chegar, mas inevitavelmente quebrou o paradigma estabelecido por Mauss e cortou a tentativa de tornar aplicáveis as categorias econômicas. O debate que se seguiu entre os antropólogos dividiu-se a serviço de diferentes pautas.

A primeira grande mudança foi uma forte controvérsia em relação a se a análise econômica era, de alguma forma, possível de ser usada em economias não-monetárias. Raymond Firth liderava os chamados "formalistas", que acreditavam que o caminho para o maior entendimento era através da aplicação e desenvolvimento dos conceitos formais da ciência econômica. Dalton (ver, por exemplo,Economic Anthropology and Development, 1971) liderava os chamados "substantivistas", que acreditavam que a maior parte da substância da vida econômica estava caindo pelas rachaduras da teoria econômica formal. Eu mesma concordava com tal crítica, mas estava otimista em relação a enfrentá-la, estendendo o conceito de ciência econômica. Os formalistas lutavam na retaguarda em favor da disciplina intelectual e os substantivistas favoreciam a descrição sem disciplina. Enquanto isso, no centro de todo calor e fúria, a antropologia econômica ainda permanecia não-sistematizada e, embora a disputa fosse violenta, ela foi se tornando bastante escolástica e remota. Assim, muitos trabalhos excelentes sobre comportamento econômico estavam sendo publicados por antropólogos, suplicando por uma síntese. Mas os jovens economistas de hoje não estão cientes das coisas boas que foram feitas e estão ocupados reinventando a roda.

E assim aconteceu que, por uma divisão implícita de trabalho, os economistas estudavam economias de mercado e os antropólogos estudavam economias de dádiva. Embora ambos aceitassem que a linha poderia não ser claramente traçada, eles não esperavam mais ter que falar uns com os outros. Esse era o pano de fundo frustrante de O Mundo dos Bens. Mas a principal razão para a estagnação da antropologia econômica foi que construir uma ponte entre a ciência econômica e a cultura era uma tarefa muito mais difícil do que parecia num primeiro momento.

A idéia de pessoa

Eu tinha a ilusão de que se nós estudássemos macroeconomia estaríamos nos aproximando do modelo totalizante de sociedade de Mauss. Assim, tirei um ano para estudar a teoria de consumo, que parecia ser relevante para a doação de dádivas e que naquele momento era uma preocupação teórica importante. No início, eu desconfiava que a falta de diálogo era nosso erro enquanto antropólogos: talvez nós tivéssemos uma idéia muito reduzida do que a ciência econômica podia fazer. A teoria da dádiva não poderia ser aplicada à economia moderna sem, antes, mudar uma noção fundamental. A idéia corrente era de que a "demanda do consumidor" é uma demanda por bens a serem consumidos pelo comprador. Simbolizado pela cestinha de compras, o consumidor deveria estar escolhendo coisas, objetos, para seu uso privado ou familiar. Na verdade, o oposto é verdade. O consumidor é inerentemente um animal social, o consumidor não quer objetos para ele mesmo, mas para dividir, dar, e não só dentro da família.

O maquinário da teorização e medição econômica foi criado para a idéia de que o consumo é uma atividade de indivíduos. A teoria está presa nessa noção. Nos anos seguintes, continuei procurando maneiras de afirmar isso (Douglas, 1996). Eu ainda continuo tentando atacar a idéia enganosa de pessoa humana (Douglas; Ney, 1998). Recentemente, para um estudo sobre clima global, tive que pesquisar a atual filosofia do bem-estar, as teorias de necessidades básicas, necessidades humanas, qualidade de vida, e os resultados de pesquisas baseadas nelas (Rayner; Malone, 1998). Todas essas teorias assumem uma teoria de necessidades, começando pelas físicas; primeiro a necessidade de viver, de ter comida e água, abrigo, etc., e então a necessidade de companhia e satisfação social e espiritual. O pensamento é tão fracamente teorizado na sua própria área que tem que iniciar com biologia. É absurdo. A teoria deveria começar com seres inteligentes que tem o suficiente para viver e mesmo assim conseguem matar de fome alguns de seus iguais. Pobreza é uma questão de como as pessoas tratam umas às outras, e isso precisa de um enquadramento sociológico. Parece haver um tipo de incapacidade profissional. Muito é dito sobre comunicação, mas sempre sobre indivíduos comunicando: uma inabilidade de contemplar a cultura como um processo dinâmico feito por indivíduos interagindo. Uma psicologia que concebe de forma totalmente errada a natureza da pessoa é parte do fardo com o qual a teoria do consumo tem tido que lidar.

Minha idéia central é de que a ciência econômica deveria levar em consideração a função comunicativa dos bens como básica (Douglas, 1987). Isso necessitaria de algumas afirmações fortes. Ou se esquece a biologia, ou ela é usada de forma inteligente. Se uma pessoa nasce como um ser comunicativo, e nasce dependente dos outros, nós certamente devemos assumir que algum poder comunicativo inerente é parte do equipamento nativo. Eu aplaudo o departamento psiquiátrico da Universidade de Edinburgo, Colwyn Trevarthen, e colegas escandinavos, que adotam noções biológicas evolucionárias: a criança nasce dependente de outros humanos; ela tem a vontade de controlar o seu ambiente, e assim é fortemente interessada em controlar os humanos à sua volta. Ela é dotada da experiência de seu próprio corpo e, assim, da sua experiência de lateralidade ela entende transações de dois lados, como bater palmas, e de sua posição de pé numa dimensão vertical ela entende balanço e simetria. Assim, há um interesse primordial na reciprocidade. Nessa abordagem teórica, as necessidades sociais vêm ao mesmo tempo ou antes do conforto físico, porque elas são as maneiras de conseguir comida, etc. É impressionante ainda no dia e época de hoje ler psicologia do desenvolvimento que ensina que as habilidades sociais vêm posteriormente no desenvolvimento infantil. Ao invés de uma tabela de necessidades básicas que começa com as físicas e termina com as sociais e simbólicas, o oposto funcionaria melhor.

Veja artigo completo

Fonte: http://antropologiadascoisas.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Colorir o que antes era cinza, em diversos lugares do mundo

Tintas Dulux pinta India, Inglaterra, França e Brasil com a ajuda das comunidades locais.

No site eles dizem que esse é apenas o começo de um movimento que vai se espalhar ao redor do mundo. E parece que é isso mesmo: Eles estão borrifando suas cores no Twitter, Orkut e Facebook. Além disso, você pode se cadastrar para ser convocado e ajudar a colorir a sua cidade.

Enquanto eles não aparecem pintando a sua cidade, dê uma olhada no blog e nos vídeos publicados. Eles estão fazendo mini documentários em cada uma das cidades em que estiveram, falando com a população sobre as cores do local e mostrando o processo da pintura. Esse é o vídeo feito na Lapa, no Rio de Janeiro.



Fonte: http://www.icecreamnow.com.br