Este não é um blog, mas um reblog. É um ambiente de aprendizagem. Mas o que é um ambiente de aprendizagem? - Carteiras? Quadro? Algumas janelas? Nós aprendemos através de nossas interações com professores, pais, colegas e o mundo em nossa volta, considerando que a interação é um dos mais importantes elementos da aprendizagem. Este reblog é dedicado a todos aqueles que colocando perguntas estimulam o estudo e as respostas.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Por isso, cuidado!





Post muito bom! Parabéns ao Jaime Troiano*


Quando Tchaikovsky completou seu famoso Concerto para piano número 1, por volta de 1875, dizem que ele o submeteu a Nicolai Rubinstein, Diretor do Conservatório de Moscou. Rubinstein teria dito que a obra era muito complexa e insistiu para que Tchaikovsky alterasse várias passagens do concerto. Diante disso, a reação do autor foi a seguinte: “Eu não vou alterar nota alguma!”. Bem, o sucesso e popularidade desse concerto é indiscutível. Uma das obras de piano mais executadas em todo mundo. O que teria acontecido se Tchaikovsky tivesse cedido à pressão e à avaliação do diretor? Ninguém sabe. O que se sabe é que ele tinha muita convicção do que havia criado.

Será que muitas empresas não estão capitulando precocemente diante do “efeito Rubinstein”, ao acompanharem o que se diz delas nas redes sociais? Será que algumas não estão se acovardando frente às primeiras pressões que se manifestam no Twitter e outras redes? Eu fiquei chocado quando vi o que aconteceu recentemente com a GAP nos USA. Em primeiro lugar, com a infeliz mudança de identidade visual da marca, que foi um movimento equivocado e mal planejado. Mas chocado mesmo eu fiquei com a velocidade com que a empresa capitulou diante das manifestações de internautas. Quantos eram exatamente ninguém sabe.

Consumidores e clientes da loja? Também ninguém saberá ao certo. A verdade é que, em poucos dias, a empresa se retratou diante do “poder soviético” das reclamações e das críticas virulentas, voltando atrás na decisão de mudar a cara da marca. O que é isso senão um caso do “efeito Rubinstein” em ação? A mudança de identidade não era, de fato, bem resolvida, tecnicamente falando. Mas o que eu sinto que há atualmente no ar é uma exacerbada camaradagem e boa vontade em aceitar o que internautas têm expressado sobre as marcas e suas empresas. Está instalado um “poder soviético” no ambiente social das redes e desobedecê-lo é como se fosse um sacrilégio, sujeito a um exílio siberiano.

Consumidores dizem o que pensam, mas fazem o que sentem. Por isso, cuidado! Ouvi-los e tentar entender o que está por trás de suas manifestações é muito mais sábio do que a obediência automática e servil. Imaginem vocês o que teria acontecido se o Henry Ford tivesse dado ouvidos às redes sociais, há uns cem anos! Estaríamos ainda andando a cavalo na Av. Presidente Vargas, Praça da Sé, Av. Afonso Pena. Os consumidores teriam dito: “Sr. Ford, nós precisamos mesmo é de cavalos mais rápidos”. Felizmente, o “efeito Rubinstein” não funcionou. Salve o “efeito Henry Ford”.

Estamos sendo vigiados 24 horas por dia. As empresas estão nuas e transparentes diante do mercado e da sociedade. Ninguém consegue mais esconder nada de ninguém. O que era um tapume virou um espelho. O que era uma parede virou um biombo bem baixo. Mas isto não nos obriga a gerenciar marcas e negócios olhando para as redes sociais como se olha para uma biruta de aeroporto, para saber para onde sopra o vento. Essa democrática exposição do que as empresas são e fazem não deveria nos obrigar a ser militarmente dirigidos pelas manifestações das redes sociais. Não somos birutas, em nenhum dos dois sentidos. A obediência cega e servil é burra.

É bem provável que o imediatismo e ausência de sólidas doses de vitaminas estratégicas na gestão das marcas sejam os maiores responsáveis hoje pela docilidade com que as opiniões do internauta-biruta (de aeroporto) são aceitas. Quem tem segurança do seu produto criativo, do conteúdo de sua marca, como Tchaikovsky tinha, não dá bola para um Rubinstein qualquer. Rubinsteins, birutas, redes sociais deveriam, sobretudo, nos obrigar a aumentar nosso poder de reflexão estratégica e criativa na luta contra o imediatismo. Nunca a capitulação precoce, ingênua e boazinha!

* Jaime Troiano é Presidente do Grupo Troiano de Branding e autor do livro “As marcas no divã”.

Este artigo foi publicado na HSM Online e agora no Mundo do Marketing por meio de parceria que os dois veículos mantêm.

Fonte: http://www.mundodomarketing.com.br e blog.cesarborges.com.br 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A relação entre marcas e causas socialmente relevantes






Li outro dia dados de uma pesquisa que aponta tendências na relação entre consumidores, empresas e causas socialmente relevantes, dando conta de que o brasileiro tem se tornado um consumidor mais consciente, atuante e atento à relação entre marcas e causas socialmente relevantes, sendo um dos que mais se engajam em todo o mundo.

De acordo com os resultados da pesquisa – quarta edição anual da pesquisa Goodpurpose, conduzida pela Edelman junto a mais de 7 mil consumidores, distribuídos em 13 países -  o público do maior país da América Latina tem alta predisposição para valorizar, recomendar e manter-se leal a marcas cuja atuação relacionada a propósitos seja consistente. Entre 2007 e 2010, a crença neste cenário aumentou e a percepção de que as organizações atuam de forma genuína sobre propósitos subiu de 46% para 64%. Dentre as marcas cujo legado positivo já se faz presente figuram Natura, Omo, Petrobras, Ypê, Nestlé e Coca-Cola.

Os analistas sugerem que, “em comparação ao resto do mundo, o brasileiro aumentou severamente seu grau de envolvimento em causas”:  64% consideram-se mais engajados diante dos 34% correspondentes aos números globais.
  • O consumidor local também se diz mais consciente sobre empresas que, além de buscarem resultados financeiros, envolvem-se genuinamente em temas de interesse social.
  • O brasileiro mostra-se predisposto a confiar, promover e comprar produtos de organizações cujas práticas e ações pautam-se por princípios e valores concretos.
  • Na dimensão individual, o consumidor nacional acredita cada vez mais em sua condição de agente de transformação.
  • Aumentou, de 1% para 11%, a autoestima dos que se consideram potenciais defensores de causas e a ação pessoal não é considerada incompatível com atitudes das marcas. Segundo a pesquisa, 84% dos brasileiros acreditam que, juntos, marcas e consumidores podem fazer mais por uma causa do que se atuassem de modo separado.
  • Mas há alguns retrocessos: comparando números, de 2009 para cá a confiança nas instituições governamentais caiu de 62% para 52%.
Segundo Carol Cone, diretora da área de marca e cidadania corporativa da Edelman, “nos mercados emergentes, a notável aparição do ‘consumidor cidadão’ aconteceu rapidamente por conta das batalhas acerca de questões socialmente relevantes como as que gravitam em torno do meio ambiente e direitos humanos. Eles entendem o significado da causa e a querem no centro de suas vidas e interações com as marcas”.

Evoluimos, sim. Em 2007 a qualidade era preponderante na decisão de compra (61% contra 38% neste ano), já em 2010 a decisão distribui-se entre propósito social da marca (19%) e lealdade (15%). Considera-se que parte disso se deva aos novos formatos de divulgação – tese na qual eu creio, e não estou só: 82% dos respondentes acreditam que marcas devem divulgar sua atuação em causas para elevar o nível de conhecimento público sobre tais iniciativas.

“As marcas de maior sucesso são as que conseguem gerar benefícios sociais em conexão com seus negócios. Consistência e visão de longo prazo são fatores essenciais para empresas que desejam construir marcas por meio de causas: “as atitudes de uma marca devem refletir suas crenças e princípios, assim como a estratégia do seu negócio”

Yacoff Sarkovas


Outros números-chave da pesquisa no Brasil:
  • 84% concordam que marcas e consumidores, ao trabalharem juntos por uma causa, podem fazer mais do que se agissem separadamente.
  • 80% tendem a recomendar marcas que apoiam boas causas em detrimento das que não o fazem.
  • 74% trocariam de marca se uma outra, de qualidade similar, apoiasse uma boa causa.
  • 94% dos consumidores acreditam que a atuação sobre propósitos deve equilibrar interesses sociais e de negócio.
  • 76% creem que não basta às corporações simplesmente transferir dinheiro para causas; elas devem integrar os propósitos às suas estratégias e rotinas de negócio.
  • 72% gostariam de trabalhar para uma companhia se ela apoiasse ativamente uma causa.
  • 60% investiriam em uma companhia socialmente ativa.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Para quem vai entrar com sua marca nas redes sociais virtuais.

1. Não contratar um especialista em Mídias Sociais
As redes sociais virtuais são consideradas ambientes informais, e essa ideia faz com que empresas, até mesmo as grandes corporações, não encarem essa área de atuação do marketing com a importância que ela deve ter. É comum vermos empresas criando perfis nas mídias sociais e deixando na mão de pessoas que não entendem nada desse novo universo da comunicação digital.
2. Disseminando informação de forma superficial
Você tem uma marca e diversos produtos que podem atingir diversos segmentos de consumidores – na verdade, isso acontece com muitas empresas. Então, acaba criando perfis em diversas mídias sociais, mas não atualiza com cuidado e realmente não foca no assunto que seu consumidor busca. Um grande erro!
Crie o foco de sua ação de marketing em poucas mídias sociais, mas faça com dedicação. Leve conteúdo que possa realmente interessar seu consumidor e interaja; para isso que servem as redes sociais. Comunique-se de forma verdadeira com seu consumidor.
3. Não investir dinheiro
Criar uma conta no Twitter ou no Facebook não custa nada, correto? Sim. Porém, uma ação bem calculada com planejamento e monitoramento exige um investimento não só de tempo, mas também de capital na contratação de bons profissionais – como citado no primeiro item – e de ferramentas necessárias para isso, como as de monitoramento profissionais.
4. Esperar que as Mídias Sociais possam vender seu produto
Existem muitos profissionais dizendo que as redes sociais podem aumentar – e muito – suas vendas. Certo, isso pode acontecer, mas leva tempo e dedicação. Não pense que criar um perfil no Twitter e contratar o melhor profissional de mídias sociais da sua cidade trará milhões de clientes para sua empresa. Alguns sim, mas as mídias sociais trarão, antes de tudo, a consciência de marca e a proximidade de clientes exigentes e altamente conectados com as mudanças.
5. Não medir o ROI
O retorno sobre investimento é o que lhe trará a prova dos nove sobre tudo que está fazendo em sua campanha de marketing. Isso serve para qualquer investimento em ações de marketing e propaganda, e com as mídias sociais é essencial.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Twitter como canal de Atendimento ao Consumidor 3.0


Muito se tem falado sobre a relação do Twitter e as empresas. Mas, esse canal de informação e comunicação, que se tornou poderoso em tão pouco tempo de existência, tem um papel muito maior na relação das corporações com o consumidor. Até pouco tempo, para reclamar, elogiar, tirar dúvidas sobre alguma marca ou serviço era utilizado o 0800, e ainda as cartas.

O Twitter veio modificar esta relação. Atualmente o Twitter é a rede social que mais cresce no Brasil, com aumento de 86%. O microblogging é conectado por 23% dos internautas brasileiros, o que representa o maior grau de penetração do mundo, segundo dados da ComScore. Pela facilidade e liberdade que o canal oferece, hoje em dia é muito comum o consumidor desabafar suas frustrações ou fazer elogios por meio da web. Pela praticidade e visibilidade, este canal tem sido alvo de opiniões.

As empresas que se preocupam com a imagem, precisam, antes de tudo, estar a par do que andam falando de seus produtos pela rede. Hoje, uma informação negativa pode trazer sérias consequências e é perfeitamente possível não reverter um quadro negativo se as críticas avançarem de forma descontrolada.
O que eu proponho aqui é uma reflexão de como as empresas podem reverter esse quadro e utilizar o Twitter como um canal de relacionamento. Então, afirmo que as empresas devem investir! Por quê?

Se a rede social virou um poderoso canal de relacionamento com o consumidor, ela oferece vantagens únicas em relação ao telefone e e-mail. A ferramenta permite maior agilidade nas respostas; baixo custo operacional; gerenciamento de clima e grande potencial de gerar buzz positivo sobre a marca, uma vez que o bom atendimento via Twitter tende a ser repercutido em outros canais.

Como fazer isso? Práticas simples podem ser a chave para o bom relacionamento com o consumidor 3.0. Para começar, deve-se estar atento ao que circula sobre a empresa. Uma busca de informações nas redes sociais pode ser o início. Se uma marca identificar algo negativo, a resposta é essencial e tem que ser imediata. Dê atenção ao consumidor e, se tiver razão, assuma, mas sempre, 'conserte' de alguma forma.

Duas palavras são fundamentais para uma boa imagem: transparência e comunicação. As armas de uma boa empresa.


Vitor Elman é diretor de criação da agencia Cappuccino Digital